sábado, 21 de outubro de 2017

...



O tempo urge.
Leva os finos grãos de areia,
as conversas com o vento ,
ampulheta parte-se
Abre um buraco
a terra treme ,
a cada passo dos meus pés.
feridos.

Sei onde estás,
por fim.
Sete palmos debaixo de terra,
humedeço -a
infiltro-me como água,
na tua boca seca.
não te esqueceste de mim.

Os ponteiros levam-me
de volta ao ao principio,
querias que fosse a tua procura,
te salvasse,
puxando -te para fora
dos confins do inferno
onde te perdeste , 
e aprendesse tudo sobre ti.

E depois sorrisse,
eufórica
proclamando ,
a formula mais rude
e primitiva.

o quanto o amor
sempre foram
as tuas mãos postas em mim.

Deixaste as provas ,
na pele.
onde as palavras não têm espaço,
onde mudos ,
encontramos sem entraves,
a forma
de dizer ,

sim,
amo-te.
 sim,
amo-te ,
sim ...
A...





sexta-feira, 20 de outubro de 2017

( )




Quando o Sol se punha,
beijava-me ,
Debaixo da cúpula de um céu
com inimagináveis cores,
O Sol encontrava-me,
mesmo antes do anoitecer,
mesmo antes do absoluto breu,
o medo ou os lobos
poderem separar-nos,
lá estava ele,
Grandioso,
Abraçávamo-nos,
Não queria saber
O quanto me podia queimar,
Os anos passados ,
tudo o que conhecera,
fora frio,
Naqueles seus braços ,
Tão quente...
A calidez,
Os raios solares,
Só poderia sentir-me protegida ,
Então derretia,
deixava de ser corpo,
como ouro liquido,
Chuva dourada,
abençoando os campos prometidos,
Onde adentravam ,
almas em polvorosa
como as nossas...
Desaparecia,
nos teus lábios,
e nunca antes...
me tinha encontrado.
Eventualmente,
perdeste controle,
eras uma estrela,
e eu mortal,
caí
em flocos de cinza ,
as cores do teu mundo,
mudaram.
Já não existo ,
mas os teus lábios...
ainda têm algo,
meu.

Quem me dera também os poder ter.



Sarah Moustafa 


terça-feira, 17 de outubro de 2017

!



a música está no máximo,
e a voz estridente,
o corpo tremulo ,
a dança de uma só chama ,
O sagrado feminino ,
acontece.

Causo fendas nas paredes,
o meu quarto torna-se
o infernal palco
de todos os meus pecados.
Preciso sentir todas as vibrações
do sentimento,
a incendiarem -me a pele
e a foderem-me o juizo.

Preciso de quebrar,
e perder todo o controle.
A minha natureza,
excessivamente terrena,
perde-se.
E a sobrenatural,
Sorri de malícia.
Ascende.
E aqui revelo,
todo o extraordinário que contenho.

E sou a festa,
o tesão,
a procissão
o segredo da alma mais recôndita,
o sussurro,
todos os teus pesadelos.
O  vinho que te escorre
pelos lábios  ,
a habilidade dos teus dedos,
a profecia,
O medo.

E a música
rebenta-me os ouvidos,
mas canto tão mais alto,
até não existir mais
voz.
E o grito,
Ser orgasmo da alma ,
 até o desejo acabar.
Sou a mulher,
dos teus sonhos ?
Não.

Sou a mulher
que vais invadir
todas as tuas horas,
mudar todos os teus dias,
atirar -te ao impossível,
caminho da paz,
no mundo dos malditos.
A tatuagem que não consegues
apagar.
Sou toda a tua memória.
Desta,
outra ,
e próxima vida.

Sou o eco da eternidade.
O peso,
Do para sempre.


Sarah Moustafa

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

.




Criaste-me.
e eu desfiz-te
numa cama de papel ,
nos quietos espaços
entre palavras,
no trespassar da
mão invisível,
rasgou-se pele,
peito aberto,
ferida milenar,
e agora tudo o que fazes,
é sangrar,

eu escrevo com a tinta
que me ensinaste,
a danação.
era apenas aluna,
e tu um mestre.
talvez tenhas confiado
demasiado,
e agora cresci ,
e não sabes o que fazer ,
com o que fizeste de mim.

Continuas a trazer-me sangue,
não queres que me cale,
não queres que me esqueça,
" Ama-me porque eu não sei quem mais o poderia fazer "
Violas o meu espirito, entras nos meus sonhos.
Encaixo-me em ti como se fosses a única pessoa
 que alguma vez tivesse existido.

Quando a realidade me desperta,
escrevo o teu nome e sinto raiva
e choro as tuas lágrimas.
e quase que me estragas,
a oportunidade dos dias,
mas então ...

eu vejo-te,
moribundo,
escondido atrás do novelo
de tantas mentiras,
vejo como encolhes,
mediante a sombra
do que criaste.
Como desapareces
na poça do teu envelhecimento ,
Subestimaste- me ,

Eu nunca te ultrapassei.
Todo aquele tempo,
Eu já estava ao teu nível.

Sarah Moustafa



sábado, 14 de outubro de 2017

...





O futuro encontra-me,
no derradeiro momento,
na ponte que atravesso ,
no olhar que devolvo
entre um sorriso tímido,
e o medo da entrega ,
desponta luz
veste-me de brilho ,
a fada madrinha ajuda,
diz que sou bela ,
estou pronta?
Estou mesmo pronta ?
O relógio
com vida própria
quer me saltar das mãos,
como um coração
desenfreado ,
exigindo uma decisão.
Com o tempo não se brinca,
as horas são preciosas,
o amor pode estar espera,
a morte á espreita
em qualquer lugar,
calço os sapatos,
mas dou uns passos lentos,
está quase.
tudo estremece dentro de mim.
olha para o relógio!
Lá estão do outro lado,
um véu.
e dois olhos indecifráveis,
colados a mim.
O que posso fazer?
Dá a mão ao desconhecido,
vê o que pode mudar,
o que pode mudar apenas,

num segundo.

Sarah Moustafa

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

...


tenho saudades de cair em chuva,
tantas gotas,
facetas companheiras
e de acabar em terra,
como uma pena delicada
caricia na tua pele.
e ser semente
fertilizar o solo,
abraçar o mundo,
esse mundo,
que se esqueceu de sentir,
quero entrar na pele,
como água
finda no deserto,
e dar de beber
o néctar da fonte
que flui,
nascente tácita
o corpo ,
e matar toda a sede,
preciso de me desfragmentar,
e num diluvio,
voltar a integrar -me.
Numa poça,
num riacho,
no oceano
de sereias aprisionadas,
na cascata mais erma
onde te banhas,
preciso Ser
presença em todo o lado.
Por favor vem,
estou com os olhos no céu,
é tela vazia,
por favor, chove
e pinta-me
em aguarela ,
com quantas cores
inusitadas
explodirem de mim.
Chama-me de poesia.

Torna-me numa obra-prima.

Sarah Moustafa

terça-feira, 10 de outubro de 2017

1+1 = ?!"...,; ."








- Voltaste-me as costas, foste embora... deixaste-me.
- Traíste -me, nunca me convidaste a entrar, mentiste -me.
- Nunca me deste provas suficientes , nunca me deste O sinal, que era para te levar a sério.
- Era eu e quantas mais? Sentada á mesa  com os olhos postos m ti, tao hipnotizada, não via que os teus não estavam  fixos no mesmo ponto. Continuaste a olhar em volta, continuaste a procurar por algo mais. Eu não era cardápio que te enchesse as medidas.
- O que é que esperavas que eu fizesse? Que parasse a minha vida por tua causa?
- Eu estava ali , mesmo á tua frente e tu nunca me viste .
- E tu nunca me levaste a sério, tornaste-me no produto dos teus medos. Estavas a minha frente, mas não me escolheste, não tomaste uma decisão.
- Então tu tomaste - a por mim ?
- Ias deixar -me de qualquer das maneiras, não te ia dar esse prazer.
- Fico feliz por saber que o que importa aqui é o teu ego vencer. E seres dono da razão.
- Queres que me importe com o quê? Os teus sentimentos? Porque te dá jeito agora? Eu manipulo tanto com o cérebro como tu com o coração. 
- Funciona?
- Esta conversa acaba aqui.
- Acaba, mas responde, funciona?
- Eu nem sequer te consigo ver a frente, o que achas?
- Não é manipulação , esta sou eu. A minha voz. Ouviste-a e não gostaste do que dizia.
- A minha cabeça, é o meu abrigo, o meu porto seguro. entraste lá , dormiste lá, comeste lá,  e  no fim aborreceu-te. Apanhas-te outro avião.
- Não . tu expulsaste -me.
- Vai-te embora agora .
- Vou ...mas já agora, não teria deixado.
Adeus.

( - Apaixonei-me pela tua voz . És a música , a banda sonora da minha vida. Não sei como dizê-lo. Apenas...não sei. E não consigo admiti-lo. Desculpa...)








Sarah Moustafa